terça-feira, 9 de setembro de 2025

   

Empresários portugueses e as tarifas de Trump: menos queixas, mais eficiência

 

Há uma tendência preocupante entre parte do empresariado português: sempre que surge um obstáculo externo, a reação imediata é a mesma — queixar-se. Agora são as tarifas de Trump. Amanhã será a valorização do dólar, depois a crise logística ou o aumento dos combustíveis. A verdade é simples: o mercado global não foi feito para os que se lamentam, mas para os que sabem competir.

As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, decididas pela administração Trump, levantaram ondas de indignação entre vários setores exportadores portugueses. Do calçado ao vinho, passando pelo têxtil, multiplicam-se as vozes a denunciar o impacto negativo destas medidas nas margens de lucro e na competitividade. No entanto, talvez seja altura de mudar o foco: em vez de lamentar o peso da conjuntura internacional, os empresários portugueses devem concentrar-se no que realmente controlam — a eficiência, a inovação e a produtividade.

É inegável que tarifas adicionais criam barreiras artificiais e tornam os produtos portugueses menos atrativos no mercado norte-americano. Mas esta não é uma realidade nova. O comércio internacional está sujeito a ciclos de protecionismo e liberalização. Os que sobrevivem e prosperam nestas condições são, invariavelmente, aqueles que sabem adaptar-se.

O que falta a muitas empresas portuguesas não é talento nem qualidade — ambos reconhecidos mundialmente em setores como o calçado e o vinho. O que falta é capacidade de produzir mais com menos recursos, investir em tecnologia que aumente a produtividade, e desenvolver modelos de gestão mais ágeis e orientados para a criação de valor. Em vez de recorrer a lamentos e pedidos de apoios públicos, os empresários deveriam assumir que a competitividade nasce dentro das portas da fábrica e não nas mesas de negociação diplomática.

Portugal não tem escala nem poder político para inverter decisões tomadas em Washington. Mas pode — e deve — reforçar a sua competitividade através de inovação, diferenciação e eficiência operacional. Isso significa reduzir desperdícios, apostar em processos digitais, formar melhor os trabalhadores e encontrar nichos de mercado onde a qualidade supera em importância o preço.

Os empresários que exportam para os Estados Unidos não podem encarar as tarifas como um muro intransponível, mas sim como um teste à sua capacidade de adaptação. Num mundo global, onde a volatilidade é regra e não exceção, vencerá quem tiver a agilidade para transformar obstáculos em oportunidades.

As tarifas de Trump são, no fundo, um teste. Separarão os empresários acomodados dos que têm fibra para jogar nas ligas internacionais. E, convenhamos, se alguém não consegue lidar com uma tarifa, talvez nunca tenha estado verdadeiramente preparado para competir nos grandes mercados.

Mais do que protestar, é tempo de agir.

 


Sem comentários:

Enviar um comentário