Empresários portugueses
e as tarifas de Trump: menos queixas, mais eficiência
Há uma tendência preocupante entre parte do empresariado
português: sempre que surge um obstáculo externo, a reação imediata é a mesma —
queixar-se. Agora são as tarifas de Trump. Amanhã será a valorização do dólar,
depois a crise logística ou o aumento dos combustíveis. A verdade é simples: o
mercado global não foi feito para os que se lamentam, mas para os que sabem
competir.
As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, decididas pela
administração Trump, levantaram ondas de indignação entre vários setores
exportadores portugueses. Do calçado ao vinho, passando pelo têxtil,
multiplicam-se as vozes a denunciar o impacto negativo destas medidas nas
margens de lucro e na competitividade. No entanto, talvez seja altura de mudar
o foco: em vez de lamentar o peso da conjuntura internacional, os empresários
portugueses devem concentrar-se no que realmente controlam — a eficiência, a
inovação e a produtividade.
É inegável que tarifas adicionais criam barreiras artificiais e
tornam os produtos portugueses menos atrativos no mercado norte-americano. Mas
esta não é uma realidade nova. O comércio internacional está sujeito a ciclos
de protecionismo e liberalização. Os que sobrevivem e prosperam nestas
condições são, invariavelmente, aqueles que sabem adaptar-se.
O que falta a muitas empresas portuguesas não é talento nem
qualidade — ambos reconhecidos mundialmente em setores como o calçado e o
vinho. O que falta é capacidade de produzir mais com menos recursos, investir
em tecnologia que aumente a produtividade, e desenvolver modelos de gestão mais
ágeis e orientados para a criação de valor. Em vez de recorrer a lamentos e
pedidos de apoios públicos, os empresários deveriam assumir que a
competitividade nasce dentro das portas da fábrica e não nas mesas de
negociação diplomática.
Portugal não tem escala nem poder político para inverter decisões
tomadas em Washington. Mas pode — e deve — reforçar a sua competitividade
através de inovação, diferenciação e eficiência operacional. Isso significa
reduzir desperdícios, apostar em processos digitais, formar melhor os
trabalhadores e encontrar nichos de mercado onde a qualidade supera em
importância o preço.
Os empresários que exportam para os Estados Unidos não podem
encarar as tarifas como um muro intransponível, mas sim como um teste à sua
capacidade de adaptação. Num mundo global, onde a volatilidade é regra e não
exceção, vencerá quem tiver a agilidade para transformar obstáculos em
oportunidades.
As tarifas de Trump são, no fundo, um teste. Separarão os
empresários acomodados dos que têm fibra para jogar nas ligas internacionais.
E, convenhamos, se alguém não consegue lidar com uma tarifa, talvez nunca tenha
estado verdadeiramente preparado para competir nos grandes mercados.
Mais do que protestar, é tempo de agir.
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