As Nações Unidas: Um Gigante Inútil
Perante os Conflitos do Mundo
+
A incapacidade e a falência de Guterres +
As Nações Unidas foram criadas com uma promessa ambiciosa: impedir que a
humanidade voltasse a viver tragédias globais como as duas guerras mundiais.
Contudo, décadas depois da sua fundação, a realidade mostra algo muito
diferente. Perante os grandes conflitos internacionais, a ONU revela-se
frequentemente lenta, impotente e, em muitos casos, simplesmente irrelevante.
A principal razão desta ineficácia está no coração do sistema: o
Conselho de Segurança. O mecanismo de veto concedido aos cinco membros
permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — transformou
a organização num palco de bloqueios políticos permanentes. Sempre que uma das
grandes potências tem interesses estratégicos num conflito, qualquer tentativa
de decisão firme é imediatamente travada. Assim, guerras prolongam-se, crises
humanitárias agravam-se e milhões de pessoas continuam a pagar o preço da
paralisia diplomática.
Esperar unanimidade entre
potências com interesses opostos não é apenas irrealista — é politicamente
ingénuo. Enquanto esse modelo
persistir, a ONU continuará condenada à inação. As grandes causas mundiais
ficam sistematicamente reféns de rivalidades geopolíticas, e o resultado é uma
organização que fala muito, reúne frequentemente, mas decide pouco.
Durante o mandato de António Guterres como Secretário-Geral, muitos
esperavam uma liderança forte capaz de pressionar para reformas profundas. Nada
disso aconteceu. Guterres sempre foi um líder fraco, inconsequente, incapaz e
incompetente para fazer uma verdadeira e profunda reforma. Apesar
de um discurso diplomático cuidadoso e de apelos constantes à cooperação
internacional, pouco ou nada mudou na estrutura que torna a ONU disfuncional.
O problema não é apenas de liderança, mas a falta de iniciativa política
para confrontar um sistema que claramente já não responde aos desafios do
século XXI.
O Conselho de Segurança continua preso a uma lógica de 1945, refletindo
o equilíbrio de poder da pós-Segunda Guerra Mundial e não o mundo actual. A
consequência é uma Instituição incapaz de agir de forma eficaz quando os
interesses das grandes potências entram em choque — precisamente nos momentos
em que a acção internacional seria mais necessária.
Se a ONU pretende recuperar credibilidade, uma reforma radical é
inevitável. O poder de veto deveria
ser substituído por decisões tomadas por maioria qualificada. Um sistema
desse tipo não eliminaria divergências entre Estados, mas impediria que um
único país bloqueasse a vontade da comunidade internacional. Sem uma mudança
dessa natureza, a organização continuará refém de uma minoria privilegiada.
A verdade incómoda é esta: enquanto o atual sistema permanecer intacto,
as Nações Unidas dificilmente passarão de um grande fórum diplomático onde se
multiplicam discursos e resoluções simbólicas, mas onde as decisões
verdadeiramente necessárias raramente chegam a concretizar-se.
Num mundo cada vez mais instável, essa ineficácia não é apenas
frustrante — é perigosa.