quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 

Geração Ecrã: a fábrica silenciosa de ignorância

 Há uma tragédia discreta a desenrolar-se diante dos nossos olhos e que poucos parecem dispostos a enfrentar com frontalidade: uma parte significativa da juventude está a ser intelectualmente atrofiada pela dependência crónica dos telemóveis e das redes sociais. Não se trata de um exagero moralista nem de nostalgia de gerações mais velhas — trata-se de um diagnóstico cada vez mais visível nas salas de aula, nas entrevistas de emprego e nas conversas quotidianas.

Nunca houve tanto acesso à informação, e nunca foi tão evidente a incapacidade de a compreender. Jovens que passam horas a deslizar o dedo num ecrã revelam dificuldades básicas em interpretar um texto simples, em sustentar um raciocínio coerente ou em articular uma ideia com princípio, meio e fim. A leitura profunda foi substituída por fragmentos, títulos chamativos e vídeos de segundos; o pensamento crítico cedeu lugar à reação impulsiva; a argumentação foi trocada por emojis e slogans.

O problema não é a tecnologia em si — é a submissão a ela. Uma geração inteira está a ser treinada para a distração permanente, para a gratificação instantânea e para a superficialidade. O cérebro, habituado a estímulos rápidos e constantes, perde a tolerância ao esforço intelectual. Ler um livro torna-se “aborrecido”; escrever um texto estruturado parece uma tarefa hercúlea; ouvir alguém durante mais de dois minutos sem interrupções soa quase impossível.

As consequências não são apenas individuais — são nacionais. Um país não se constrói com cidadãos incapazes de interpretar informação, avaliar argumentos ou comunicar com clareza. Uma sociedade que forma jovens dependentes, dispersos e intelectualmente frágeis está a comprometer o seu próprio futuro. Não se trata de elitismo: trata-se de sobrevivência cultural, económica e democrática.

 

Continuar a fingir que isto é apenas “a evolução natural dos tempos” é uma forma de cobardia coletiva. Se não houver um esforço sério de famílias, escolas e instituições para reverter esta tendência — impondo limites, incentivando a leitura, valorizando o pensamento estruturado — estaremos a assistir, passivamente, ao embrutecimento progressivo de uma geração inteira.

E um país que aceita o embrutecimento dos seus jovens está, no fundo, a aceitar o seu próprio declínio.

Não há economia forte, democracia saudável ou inovação séria sustentada por cidadãos intelectualmente frágeis. Nenhuma nação prospera quando a distração substitui o discernimento.

 

Se nada mudar, não estaremos apenas perante uma geração distraída — estaremos perante uma geração despreparada. Uma sociedade que normaliza a ignorância dos seus jovens não está a evoluir: está a regredir.

 

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