A Bacocalândia dos
Comentadores Televisivos – Análises
a Candidatos Presidenciais
Há um fenómeno curioso — para não dizer lamentável
— que se repete a cada ciclo eleitoral: os comentadores televisivos que, sem
pudor nem qualidade, distribuem notas como jurados de um qualquer concurso de
talentos, classificando quem “ganhou” ou
“perdeu” nos debates entre candidatos
presidenciais. A ligeireza com que se atribuem pontuações seria risível, não
fosse profundamente reveladora da pobreza analítica que domina uma parte
substancial deste universo mediático.
É quase cómico observar figuras que, ao longo do
ano, mal conseguem articular uma ideia com profundidade, transformarem-se
subitamente em árbitros supremos da retórica política. Com ar grave e
sobrancelhas arqueadas, anunciam vereditos como se estivessem investidos de uma
autoridade que, na verdade, ninguém lhes conferiu — muito menos o público.
O mais irónico é que muitos desses avaliadores
compulsivos não dispõem de qualquer preparação específica para analisar um
debate político. Não há formação, não há método, não há critério. Há apenas
opinião travestida de ciência, preferência pessoal disfarçada de neutralidade,
e um narcisismo que encontra na câmara o espelho perfeito para se exibir.
Enquanto professor, habituado a avaliar desempenho
com rigor, não posso deixar de constatar a falácia deste teatro televisivo. A
avaliação exige critérios, exige parâmetros claros, exige responsabilidade. O
que vejo, pelo contrário, é um desfile de palpiteiros que confundem
protagonismo com competência.
Há ainda o problema — tão evidente quanto vergonhoso —
das preferências partidárias disfarçadas de análise imparcial. Muitos
comentadores entram em estúdio já com o “aluno
preferido” escolhido, e a partir daí tudo se torna previsível: elogiam
apaixonadamente o seu candidato de estimação e, com a mesma convicção, desatam
a bater naqueles que lhe possam fazer frente. Não é comentário, é militância
camuflada. E o público, que merecia esclarecimento, recebe apenas propaganda
disfarçada de avaliação técnica.
Por isso, e usando a mesma lógica simplista que
eles próprios adoptam, atribuo a todos esses patéticos e papalvos comentadores
um rotundo ZERO (0). Zero pela falta de rigor. Zero pela arrogância.
Zero pela pobreza intelectual mascarada de análise séria. Zero pelo contributo
nulo para o esclarecimento democrático.
Se querem distribuir notas, que comecem pela
própria prestação — talvez aí descubram que são eles os verdadeiros derrotados
de cada debate.
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