quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 

A Bacocalândia dos Comentadores Televisivos –       Análises a Candidatos Presidenciais

 

Há um fenómeno curioso — para não dizer lamentável — que se repete a cada ciclo eleitoral: os comentadores televisivos que, sem pudor nem qualidade, distribuem notas como jurados de um qualquer concurso de talentos, classificando quem “ganhou” ou “perdeu” nos debates entre candidatos presidenciais. A ligeireza com que se atribuem pontuações seria risível, não fosse profundamente reveladora da pobreza analítica que domina uma parte substancial deste universo mediático.

É quase cómico observar figuras que, ao longo do ano, mal conseguem articular uma ideia com profundidade, transformarem-se subitamente em árbitros supremos da retórica política. Com ar grave e sobrancelhas arqueadas, anunciam vereditos como se estivessem investidos de uma autoridade que, na verdade, ninguém lhes conferiu — muito menos o público.

O mais irónico é que muitos desses avaliadores compulsivos não dispõem de qualquer preparação específica para analisar um debate político. Não há formação, não há método, não há critério. Há apenas opinião travestida de ciência, preferência pessoal disfarçada de neutralidade, e um narcisismo que encontra na câmara o espelho perfeito para se exibir.

Enquanto professor, habituado a avaliar desempenho com rigor, não posso deixar de constatar a falácia deste teatro televisivo. A avaliação exige critérios, exige parâmetros claros, exige responsabilidade. O que vejo, pelo contrário, é um desfile de palpiteiros que confundem protagonismo com competência.

Há ainda o problema — tão evidente quanto vergonhoso — das preferências partidárias disfarçadas de análise imparcial. Muitos comentadores entram em estúdio já com o “aluno preferido” escolhido, e a partir daí tudo se torna previsível: elogiam apaixonadamente o seu candidato de estimação e, com a mesma convicção, desatam a bater naqueles que lhe possam fazer frente. Não é comentário, é militância camuflada. E o público, que merecia esclarecimento, recebe apenas propaganda disfarçada de avaliação técnica.

Por isso, e usando a mesma lógica simplista que eles próprios adoptam, atribuo a todos esses patéticos e papalvos comentadores um rotundo ZERO (0). Zero pela falta de rigor. Zero pela arrogância. Zero pela pobreza intelectual mascarada de análise séria. Zero pelo contributo nulo para o esclarecimento democrático.

Se querem distribuir notas, que comecem pela própria prestação — talvez aí descubram que são eles os verdadeiros derrotados de cada debate.

 

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