sábado, 25 de abril de 2026

 

    Novos Comentadores Televisivos - a estirpe provinciana e bacoca

Há muito que o espaço mediático português se habituou à figura do “comentador residente ou convidado”. Presente em painéis, debates e programas de atualidade, este perfil tornou-se peça central na forma como a informação é interpretada e entregue ao público. No entanto, importa questionar: quem são estas vozes e que valor acrescentam realmente ao debate público?

A perceção, cada vez mais difundida, é a de que apenas uma minoria — talvez entre 10% a 15% — possui experiência sólida e conhecimento aprofundado sobre os temas que aborda. São profissionais com percurso reconhecido, que trazem contexto, memória e capacidade crítica. A sua intervenção, mesmo quando discordante, tende a elevar o nível da discussão e a oferecer ao espectador ferramentas para compreender melhor a realidade.

Por outro lado, cresce o número de comentadores cuja presença parece assentar mais na imagem do que na substância. Rapariguitas e rapazotes imberbes, recém saídos da Escola, surgem a opinar sobre temas complexos — da geopolítica à economia — com uma segurança que nem sempre corresponde ao domínio efetivo das matérias. A preparação, muitas vezes, limita-se a leituras rápidas no Google, no Economist, Newsweek ou Times, pesquisas superficiais e referências a publicações internacionais, usadas mais como ornamento do que como base analítica.

Em Portugal assume contornos particulares devido à reduzida dimensão do mercado mediático e à proximidade entre comentadores, jornalistas e estruturas de poder. A lógica da televisão — imediatista, orientada para audiências e dependente de rostos reconhecíveis — favorece perfis que garantem fluidez discursiva e presença mediática, ainda que à custa de profundidade.

 

O resultado é um empobrecimento do debate público. Quando a opinião se sobrepõe sistematicamente ao conhecimento, e quando a confiança é construída mais pela exposição do que pela competência, perde-se uma oportunidade essencial: a de informar com rigor e contribuir para uma cidadania mais esclarecida.

A renovação deve ser acompanhada de exigência, responsabilidade e, sobretudo, de consciência dos próprios limites. Opinar não é apenas falar — é sustentar, contextualizar e assumir o peso das palavras num espaço público.

As televisões têm aqui um papel decisivo. Ao escolherem quem comenta e como comenta, definem não só o tom do debate, mas também o nível de exigência a que o público é exposto. Apostar na diversidade de perspetivas é importante, mas essa diversidade deve incluir, acima de tudo, qualidade.

Num tempo em que a informação circula rapidamente e a desinformação ganha terreno, a credibilidade não é um luxo — é uma necessidade. E essa começa, inevitavelmente, por quem tem voz.

 

 

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