Mariano
Rajoy : Não havia necessidade!
O futebol desperta paixões, alimenta
rivalidades e mobiliza milhões de pessoas. Mas precisamente por essa capacidade
de influenciar emoções, exige prudência quando é comentado por figuras
políticas de grande relevo. As recentes declarações de Mariano Rajoy sobre os
jogadores da seleção francesa levantam uma questão que vai muito além do
desporto: até que ponto deve um antigo primeiro-ministro envolver-se em
polémicas desta natureza?
Um político que exerceu o cargo de chefe de
Governo representa uma instituição e uma tradição democrática que não
desaparecem quando abandona funções. As suas palavras continuam a ter peso e
impacto público. Por isso, quando entra num terreno tão sensível como o futebol
internacional, sobretudo fazendo referências aos jogadores de uma seleção
nacional, corre o risco de alimentar divisões desnecessárias e de desviar o
debate dos verdadeiros problemas da sociedade.
O futebol já vive, por si só, num ambiente
frequentemente marcado por interesses económicos, rivalidades exacerbadas e
polémicas permanentes. Não necessita da intervenção de antigos líderes
políticos para aumentar a tensão. Pelo contrário, espera-se que personalidades
com a experiência de Mariano Rajoy contribuam para elevar o debate público, e
não para alimentar discussões que facilmente podem ser interpretadas como
nacionalistas ou até xenófobas.
Mesmo que não tenha sido essa a intenção,
declarações deste género expõem quem as profere a críticas evitáveis. Num
contexto europeu que valoriza a diversidade e a integração, qualquer comentário
sobre a origem ou identidade dos jogadores de uma seleção pode ser entendido
como uma tentativa de colocar em causa a legitimidade de atletas que
representam o seu país de acordo com as regras e os valores do desporto.
Além disso, intervenções deste tipo acabam
por descredibilizar a própria classe política. Os cidadãos esperam dos seus
antigos governantes reflexões sobre economia, democracia, segurança ou política
internacional, e não opiniões que alimentem polémicas futebolísticas. Quando um
ex-primeiro-ministro escolhe esse caminho, arrisca-se a banalizar o prestígio
do cargo que ocupou e a contribuir para a crescente desconfiança dos cidadãos
em relação à política.
O
futebol deve continuar a ser um espaço de competição, respeito e celebração do
talento, independentemente da origem dos jogadores. Aos políticos,
especialmente aos que exerceram as mais altas funções do Estado, exige-se
sentido de responsabilidade, ponderação e consciência do impacto das suas
palavras. Há debates que enriquecem a democracia; este dificilmente será um
deles.
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