sexta-feira, 31 de agosto de 2018


A PRAGA DAS COMISSÔES BANCÁRIAS

A actividade nobre da Banca sempre foi a intermediação financeira – transformação do passivo captado (depósitos) em activo (crédito concedido a clientes).

Até há cerca de 15 anos, a Margem Financeira (MF) – (Juros e rendimentos similares – Juros e encargos similares), o Produto Bancário (PB) e a pouca expressão das Provisões para crédito vencido e imparidades, eram mais que suficientes para cobrir os Custos de Transformação e a Banca poder apresentar Resultados Liquidos altamente positivos.

Mas este paradigma veio a alterar-se desde então.

Margem Financeira a estreitar-se cada vez mais, e particularmente a partir de 2009 e com a crise que se abateu sobre a economia portuguesa, com Provisões para crédito vencido (de cobrança duvidosa) e imparidades a registarem uma subida exponencial, a Banca na sua generalidade começou a entrar em grandes dificuldades, sublinhando o “período da crise”, no qual alguns bancos tiveram que se recapitalizar, por forma a poderem cumprir com os rácios de solvabilidade impostos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo regulador interno. Para agravar ainda mais a situação financeira da Banca, os valores negativos há muito registados pelo seu principal indexante nos créditos concedidos – Euribor (em todos os prazos).

Perante este conjunto de dificuldades anteriormente referenciadas, a Banca escolheu o caminho mais fácil – atirar despudoradamente para cima dos seus clientes, comissões por tudo e por nada !

O negócio bancário mudou !

O tráfego nos balcões diminuiu de forma geométrica porque assim os bancos o quiseram, ao lançar aplicações que permitem aos seus clientes resolver (quase) todas as suas relações com o seu banco a partir de qualquer lugar e durante as 24h do dia. Desta forma, a banca liberta recursos que poderão ser utilizados de forma mais eficiente na sua estratégia, se bem, que na sua esmagadora maioria a banca tenha seguido o caminho das reformas antecipadas, rescisões de contratos e não renovação daqueles que se encontravam com prazo fixo, diminuindo assim os seus custos, e não seguindo um caminho de reafectação.

Mas, estas medidas não foram e não são suficientes, pelo que é necessário “inventar” comissões, para ajudar a inverter a natureza de Resultados Liquidos negativos para positivos. É o caminho mais fácil, pois então. E o cliente não tem forma de escapar a esta voracidade ! Porque toda a banca está nesta dinâmica avassaladora das comissões desenfreadas.

Não podemos perder de vista que os Depósitos a Prazo (DP) há muito que deixaram de pagar qualquer taxa de juro, mas em contrapartida, quem quiser fazer um Crédito ao Consumo ou para Outras Finalidades, fácilmente pagará 6 ou 7%. Anacronismo – a banca não paga nos DP mas recebe (e bem) nos seus financiamentos.

A DECO entregou no passado mês de Julho, uma petição na Assembleia da República, contra as comissões bancárias injustificadas. Como exemplo de comissões que nunca o deveriam ser, temos: comissão de manutenção de conta, comissões de processamento de créditos (habitação, consumo, leasing, ALD, etc).

O negócio bancário mudou, mas a banca não soube procurar um novo modelo que não penalize despudoradamente os seus clientes. Está a faltar visão estratégica de mudança.

Estamos num período de taxas históricametne baixas, mas mesmo perante esta situação de margens muito estreitas, a banca continua a insistir na concessão de crédito com matrizes de aceitação de novos riscos, muito larga. Se essa “subtileza” não fará muito rombo nos créditos de curto prazo e de montantes relativamente baixos, já o mesmo não se poderá dizer de um crédito á habitação, não só pelo seu dilatado prazo, mas também pelo seu montante.

E para fazer face ao mais que previsivel aumento das Provisões, há que criar novas Comissões e carregar naquelas já existentes.

Tem a palavra a Assembleia da República !

 

 
O meu Artigo de Opinião, no JORNAL ECONÓMICO de hoje.

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/a-praga-das-comissoes-bancarias-349493

sexta-feira, 27 de julho de 2018


CRÉDITO – EQUILIBRIO NO FIO DA NAVALHA

Domar (D) foi um economista russo mais tarde naturalizado americano, que conjuntamente com Harrod (H), este um economista inglês, que conjuntamente desenvolveram um modelo económico que assentava na tentativa de explicação da taxa de crescimento duma economia em termos do nível de poupança e da produtividade do capital. A grande crítica a este modelo, vem do facto de H-D considerarem que existe apenas uma taxa de poupança garantida e não diferentes taxas, associadas a diferentes classes sociais. Daí o célebre “equilíbrio no fio da navalha”, como ficou conhecido no mundo da Economia.

Vem isto a propósito, para ilustrar o que se está (de novo) a passar com a Banca em Portugal, ou melhor, com a política de concessão de crédito.

Parece que a Banca esqueceu o que se passou nos tempos de crise – particularmente entre 2008 e 2013 – e volta a insistir no mesmo modelo de negócio, isto é, conceder crédito a quem, muito provávelmente no futuro (mais próximo do que alguns julgam) irá ter sérios problemas para solver as suas dívidas.

O negócio principal da Banca é a intermediação, isto é, captar recursos e aplicá-los em crédito. No entanto, tal deverá ser feito com muita parcimónia respeitando uma matriz de aceitação de riscos de crédito apertada e que dê conforto ao credor (e já agora também ao mutuário), para que em situação de maior aperto orçamental, o mutuário consiga solver as suas responsabilidades, evitando a criação de provisões por parte da Banca para crédito vencido e imparidades.

Já não vou aqui falar da subida das taxas de juro de referência que qualquer ano irão subir. Esta situação, se para créditos de curto prazo (crédito ao consumo e outras finalidades), não compaginará perigos maiores, o mesmo já não acontecerá para créditos á habitação, devido á sua longevidade.

Outro sim, falo dum inevitável abrandamento da actividade económica que trará consigo menor distribuição de rendimentos, e consequentemente, com famílias endividadas muito para além do limiar do esforço de equilíbrio financeiro, irão começar a derrapar e a Banca a voltar a um passado que todos conhecemos.

As medidas tomadas recentemente pelo Banco de Portugal foram interessantes, mas ficaram aquém daquilo que se exigia, para uma maior protecção de quem empresta e de quem pede emprestado.

Depois voltaremos ao mesmo: o Estado a injectar milhares de milhões para salvar mais algum banco, com custos para todos nós, escudando-se naquela velha justificação – “to big to fail !”

Que ninguém tenha dúvidas – a Banca parece não ter aprendido com os erros do passado bem recente. E está de novo num “equilíbrio de fio da navalha”, que á mínima constipação da economia, provoca-lhe uma pneumonia de muito difícil cura.

Sendo a economia portuguesa uma economia de mercado, não entendo porque não deixar o mercado funcionar. Isto é, as empresas que têm dificuldades estruturais tais, que não conseguem sobreviver pelos seus próprios meios, há que as deixar seguir o seu curso normal. Isto deveria ter já acontecido com a Banca.

Caso tivesse acontecido, o País teria os meios suficientes, para fazer mais hospitais; para não deixar o serviço nacional de saúde no pântano que hoje se encontra; para reduzir a taxa de pobreza; para investir na recuperação de tantas estradas degradadas ou mesmo para a construção do novo aeroporto de Lisboa.

A importância sistémica que os governos têm atribuído à Banca, não pode justificar tudo. Os erros terão que ser pagos, não pelos portugueses que nada tiveram a ver com más gestões, mas pelos accionistas dessas mesmas instituições.

Uma palavra final só para a CGD, que sendo do Estado, acabamos todos nós por pagar aumentos de capital, por desmandos feitos por aqueles que o Estado escolheu.

 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Orador e Comentador - Economia, Finanças, Estratégia, Análise e Gestão de Risco de Crédito, Gestão Financeira Internacional e Gestão Bancária.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Portugal: Staff Concluding Statement of the 2018 Article IV Mission - FMI


An International Monetary Fund (IMF) mission visited Frankfurt, Porto and Lisbon during May 15-29, 2018, for the annual Article IV consultation discussions with Portugal. At the end of the visit, the mission team issued the following statement:

Portugal’s near-term outlook remains favorable, although external risks have risen lately. Following the strong outcome in 2017, fiscal targets for 2018 appear feasible, while stability and confidence in the banking system have improved. Sustained and vigorous growth is needed for Portugal to converge to average EU living standards and to reduce the vulnerabilities from high public and private debt. Ensuring balanced growth requires higher and sustainably financed investment and continued efforts to address structural rigidities. Current favorable conditions create an opportunity for continuing structural fiscal consolidation and support for the supply side of the economy.

1. Job rich growth continued in the last year, supported by a pickup in investment and exports, and prospects remain largely favorable. Real GDP grew by 2.7 percent in 2017 on the strength of investment and exports of goods and services, notably tourism. Flash statistics for the first quarter of 2018 showed somewhat subdued growth largely on account of temporary factors affecting exports, and possibly also of moderation of demand in some export markets. The mission team forecasts real GDP growth to reach 2.3 percent this year, decelerating to 1.8 percent in 2019 and gradually towards a rate of about 1.4 percent in the medium term. Unemployment has fallen to 7.4 percent in March, below the euro area average, with reductions across all dimensions of labor under-utilization. In some sectors of the economy firms are beginning to find it difficult to fill vacancies, especially for high-skill jobs. Growth of real average wages continued in 2017, while the minimum wage coverage rose to 22 percent of all earners (from 20.6 percent in 2016) according to provisional social security data, reflecting in part the growth in low-skill positions.
   
2. Risks to the favorable baseline scenario are mostly external, but shocks would be amplified by lingering domestic vulnerabilities. Recent months have seen a rise in uncertainty around the world, with weaker readings in high-frequency indicators of activity or rising political and policy uncertainty in some partner countries, as well as heightened volatility in some currency and bond markets. This is a reminder that external conditions, while still broadly benign, can turn less favorable. A weakening of euro-area growth would significantly affect Portugal, an open economy whose exports have successfully increased their presence in foreign markets. Given still high leverage across the economy, market interest rate surprises could have an impact on cashflows and activity. The main domestic risk is that of yielding to pressures to erode past policy efforts, which have facilitated the successful recovery seen so far.

3. Portugal made significant progress on fiscal consolidation in 2017, helped by disciplined budget execution, and the deficit target for 2018 appears feasible. The overall fiscal deficit (excluding the recapitalization of CGD) closed well below the official target in 2017 thanks to the strong economy and a structural primary balance in surplus for a sixth straight year—in fact, 0.4 percent of GDP higher than in 2016. This allowed the government to absorb the CGD recapitalization cost while keeping the headline deficit, as measured by the Eurostat rules, within the Stability and Growth Pact benchmark of 3 percent of GDP. For 2018, continued focus on expenditure control and ongoing cyclical momentum in the economy make the attainment of the deficit target of 0.7 percent of GDP feasible. The strong fiscal performance has generated important spillovers in the economy, such as lower country risk spreads, which tend to benefit most borrowers.
   
4. The favorable environment provides an opportunity to make faster progress in the reduction of public indebtedness. While the Stability Program’s objectives for fiscal consolidation for the period 2018-2022 are ambitious, the bulk of the adjustment is proposed for 2020 and 2021. By that time, however, the mission expects that growth will be decelerating towards its medium-term potential. Moreover, the uncertainty around any economic projection (be it the mission’s or the authorities’) becomes wider with time. The mission would thus see merit in frontloading the adjustment envisaged in the Stability Program both to avoid the risk that policy may become procyclical, and to ensure that the adjustment envisaged is robust to potential adverse surprises down the road. Moreover, continuing structural consolidation, by reducing debt, will help lower the government’s interest bill, releasing resources for more desirable uses, and contribute to re-build fiscal buffers to face future adverse shocks. Containing the growth in the government wage bill and pension spending is key to keeping current expenditure growth moderate while safeguarding the quality of public services and public investment.
   
5. The past year saw significant improvements in financial stability. Capital ratios have increased, while the stock of non-performing loans (NPL) has fallen by over EUR 13 billion from its peak in mid-2016, bringing the NPL-to-loans ratio to 13.3 percent at end-2017, down from its 17.9 percent peak. This pace is consistent with meeting or exceeding the banks’ NPL reduction objectives. While these are encouraging results, additional progress is needed to strengthen banks’ profitability. This will help them absorb additional costs that might arise from MREL and to provide support to the economy. Moreover, supervisors should continue to encourage banks to strengthen further their corporate governance and risk management while persevering in their NPL-reduction and cost-cutting strategies to generate internal capital. Although the growth of credit aggregates was still negative, the flow of new credit has strengthened. The trend toward increasingly favorable terms in mortgages and consumer loans prompted the Banco de Portugal to take timely macroprudential measures. Rising house prices should continue to be monitored, given the importance of mortgages in the banks’ loan books.

6. Attaining faster growth in the medium term requires building on past reforms and generating soundly financed investment. Steadily improving skill and education levels should continue to support growth in coming years. Increasing investment on a sustainable basis can contribute to strengthen growth in productivity and output, helping offset the adverse effects of long-term demographic trends in the growth of the labor force. Investment can be fostered by enhancing business conditions, streamlining excess regulations, further improving corporate restructuring and liquidation processes, and preserving or increasing the flexibility of institutions and markets. The present favorable conditions are propitious for taking additional steps in these areas. Moreover, labor reforms undertaken in past years have facilitated the job-rich character of the recovery currently underway. But introducing new rigidities, or reintroducing old ones, would undermine competitiveness and productivity, and make it difficult for firms to manage fluctuations in demand. Encouraging the buildup of equity and stronger private savings would also help ensure that investment can increase without giving rise to external imbalances.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Portugal Economic Outlook - April.18

Data for the first quarter signals that economic growth, while still strong, likely moderated slightly from last year’s rate; in 2017, it shot up to a 17-year high on the back of soaring exports.
The most notable signs of a moderation came from a slower pace of expansion in industrial output in the first two months of the year compared to the final quarter of 2018, along with a discernible fall in retail sales growth in February.
 Survey-based data reinforced the view of a cooling trend; economic sentiment continued to slide throughout the first quarter.
Nonetheless, the economy remains resilient, alongside a record-low budget deficit.
Prime Minister António Costa’s left-wing government has drawn accolades for the turnaround in growth, achieved while maintaining post-crisis fiscal discipline.
On 13 April, Finance Minister Mário Centeno presented a 2018–2022 program aimed at fiscal stability, projecting a budget surplus in 2020 that if achieved would end 25 years of uninterrupted deficits.