sexta-feira, 14 de setembro de 2018

PORTUGAL - External balance.
Trade has played an increasingly important role as a driver of economic growth. A booming tourism sector has meant that exports of services have offset an increase in goods imports.

 
PORTUGAL - Job-rich growth.
The unemployment rate fell to a record low of 7. 1 percent in April 2018. The long-term unemployed are also returning to work in large numbers. The low unemployment rate is based on a vigorous improvement in employment, which grew by 3.3 percent in 2017, even as labor force participation increased by 1.1 percent.
  

sexta-feira, 31 de agosto de 2018


A PRAGA DAS COMISSÔES BANCÁRIAS

A actividade nobre da Banca sempre foi a intermediação financeira – transformação do passivo captado (depósitos) em activo (crédito concedido a clientes).

Até há cerca de 15 anos, a Margem Financeira (MF) – (Juros e rendimentos similares – Juros e encargos similares), o Produto Bancário (PB) e a pouca expressão das Provisões para crédito vencido e imparidades, eram mais que suficientes para cobrir os Custos de Transformação e a Banca poder apresentar Resultados Liquidos altamente positivos.

Mas este paradigma veio a alterar-se desde então.

Margem Financeira a estreitar-se cada vez mais, e particularmente a partir de 2009 e com a crise que se abateu sobre a economia portuguesa, com Provisões para crédito vencido (de cobrança duvidosa) e imparidades a registarem uma subida exponencial, a Banca na sua generalidade começou a entrar em grandes dificuldades, sublinhando o “período da crise”, no qual alguns bancos tiveram que se recapitalizar, por forma a poderem cumprir com os rácios de solvabilidade impostos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo regulador interno. Para agravar ainda mais a situação financeira da Banca, os valores negativos há muito registados pelo seu principal indexante nos créditos concedidos – Euribor (em todos os prazos).

Perante este conjunto de dificuldades anteriormente referenciadas, a Banca escolheu o caminho mais fácil – atirar despudoradamente para cima dos seus clientes, comissões por tudo e por nada !

O negócio bancário mudou !

O tráfego nos balcões diminuiu de forma geométrica porque assim os bancos o quiseram, ao lançar aplicações que permitem aos seus clientes resolver (quase) todas as suas relações com o seu banco a partir de qualquer lugar e durante as 24h do dia. Desta forma, a banca liberta recursos que poderão ser utilizados de forma mais eficiente na sua estratégia, se bem, que na sua esmagadora maioria a banca tenha seguido o caminho das reformas antecipadas, rescisões de contratos e não renovação daqueles que se encontravam com prazo fixo, diminuindo assim os seus custos, e não seguindo um caminho de reafectação.

Mas, estas medidas não foram e não são suficientes, pelo que é necessário “inventar” comissões, para ajudar a inverter a natureza de Resultados Liquidos negativos para positivos. É o caminho mais fácil, pois então. E o cliente não tem forma de escapar a esta voracidade ! Porque toda a banca está nesta dinâmica avassaladora das comissões desenfreadas.

Não podemos perder de vista que os Depósitos a Prazo (DP) há muito que deixaram de pagar qualquer taxa de juro, mas em contrapartida, quem quiser fazer um Crédito ao Consumo ou para Outras Finalidades, fácilmente pagará 6 ou 7%. Anacronismo – a banca não paga nos DP mas recebe (e bem) nos seus financiamentos.

A DECO entregou no passado mês de Julho, uma petição na Assembleia da República, contra as comissões bancárias injustificadas. Como exemplo de comissões que nunca o deveriam ser, temos: comissão de manutenção de conta, comissões de processamento de créditos (habitação, consumo, leasing, ALD, etc).

O negócio bancário mudou, mas a banca não soube procurar um novo modelo que não penalize despudoradamente os seus clientes. Está a faltar visão estratégica de mudança.

Estamos num período de taxas históricametne baixas, mas mesmo perante esta situação de margens muito estreitas, a banca continua a insistir na concessão de crédito com matrizes de aceitação de novos riscos, muito larga. Se essa “subtileza” não fará muito rombo nos créditos de curto prazo e de montantes relativamente baixos, já o mesmo não se poderá dizer de um crédito á habitação, não só pelo seu dilatado prazo, mas também pelo seu montante.

E para fazer face ao mais que previsivel aumento das Provisões, há que criar novas Comissões e carregar naquelas já existentes.

Tem a palavra a Assembleia da República !

 

 
O meu Artigo de Opinião, no JORNAL ECONÓMICO de hoje.

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/a-praga-das-comissoes-bancarias-349493

sexta-feira, 27 de julho de 2018


CRÉDITO – EQUILIBRIO NO FIO DA NAVALHA

Domar (D) foi um economista russo mais tarde naturalizado americano, que conjuntamente com Harrod (H), este um economista inglês, que conjuntamente desenvolveram um modelo económico que assentava na tentativa de explicação da taxa de crescimento duma economia em termos do nível de poupança e da produtividade do capital. A grande crítica a este modelo, vem do facto de H-D considerarem que existe apenas uma taxa de poupança garantida e não diferentes taxas, associadas a diferentes classes sociais. Daí o célebre “equilíbrio no fio da navalha”, como ficou conhecido no mundo da Economia.

Vem isto a propósito, para ilustrar o que se está (de novo) a passar com a Banca em Portugal, ou melhor, com a política de concessão de crédito.

Parece que a Banca esqueceu o que se passou nos tempos de crise – particularmente entre 2008 e 2013 – e volta a insistir no mesmo modelo de negócio, isto é, conceder crédito a quem, muito provávelmente no futuro (mais próximo do que alguns julgam) irá ter sérios problemas para solver as suas dívidas.

O negócio principal da Banca é a intermediação, isto é, captar recursos e aplicá-los em crédito. No entanto, tal deverá ser feito com muita parcimónia respeitando uma matriz de aceitação de riscos de crédito apertada e que dê conforto ao credor (e já agora também ao mutuário), para que em situação de maior aperto orçamental, o mutuário consiga solver as suas responsabilidades, evitando a criação de provisões por parte da Banca para crédito vencido e imparidades.

Já não vou aqui falar da subida das taxas de juro de referência que qualquer ano irão subir. Esta situação, se para créditos de curto prazo (crédito ao consumo e outras finalidades), não compaginará perigos maiores, o mesmo já não acontecerá para créditos á habitação, devido á sua longevidade.

Outro sim, falo dum inevitável abrandamento da actividade económica que trará consigo menor distribuição de rendimentos, e consequentemente, com famílias endividadas muito para além do limiar do esforço de equilíbrio financeiro, irão começar a derrapar e a Banca a voltar a um passado que todos conhecemos.

As medidas tomadas recentemente pelo Banco de Portugal foram interessantes, mas ficaram aquém daquilo que se exigia, para uma maior protecção de quem empresta e de quem pede emprestado.

Depois voltaremos ao mesmo: o Estado a injectar milhares de milhões para salvar mais algum banco, com custos para todos nós, escudando-se naquela velha justificação – “to big to fail !”

Que ninguém tenha dúvidas – a Banca parece não ter aprendido com os erros do passado bem recente. E está de novo num “equilíbrio de fio da navalha”, que á mínima constipação da economia, provoca-lhe uma pneumonia de muito difícil cura.

Sendo a economia portuguesa uma economia de mercado, não entendo porque não deixar o mercado funcionar. Isto é, as empresas que têm dificuldades estruturais tais, que não conseguem sobreviver pelos seus próprios meios, há que as deixar seguir o seu curso normal. Isto deveria ter já acontecido com a Banca.

Caso tivesse acontecido, o País teria os meios suficientes, para fazer mais hospitais; para não deixar o serviço nacional de saúde no pântano que hoje se encontra; para reduzir a taxa de pobreza; para investir na recuperação de tantas estradas degradadas ou mesmo para a construção do novo aeroporto de Lisboa.

A importância sistémica que os governos têm atribuído à Banca, não pode justificar tudo. Os erros terão que ser pagos, não pelos portugueses que nada tiveram a ver com más gestões, mas pelos accionistas dessas mesmas instituições.

Uma palavra final só para a CGD, que sendo do Estado, acabamos todos nós por pagar aumentos de capital, por desmandos feitos por aqueles que o Estado escolheu.

 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Orador e Comentador - Economia, Finanças, Estratégia, Análise e Gestão de Risco de Crédito, Gestão Financeira Internacional e Gestão Bancária.