terça-feira, 11 de junho de 2019

A minha "Opinião" - JORNAL ECONÓMICO

Banca: mais uma ideia peregrina

 
 

Mas se as comissões para quem as paga, (a propósito de tudo e do nada) são uma verdadeira praga, a banca não contente com os chorudos resultados daí advindos, tenta levar a efeito mais “um assalto” ao bolso dos seus clientes – recuperou há pouco, uma ideia peregrina que já há muito que tem andado a ser “cozinhada” que são as comissões por levantamento no multibanco.

Já aqui escrevi e denunciei nestas páginas, o que considero ser uma verdadeira praga de comissões bancárias.
Com a margem financeira a níveis muito estreitos, o que tem valido à banca tem sido a receita arrecadada com uma multiplicidade de comissões, tendo estas um efeito muito positivo desde logo no produto bancário e depois nos resultados brutos de exploração e por fim nos resultados líquidos.
Mas se as comissões para quem as paga, (a propósito de tudo e do nada) são uma verdadeira praga, a banca não contente com os chorudos resultados daí advindos, tenta levar a efeito mais “um assalto” ao bolso dos seus clientes – recuperou há pouco, uma ideia peregrina que já há muito que tem andado a ser “cozinhada” que são as comissões por levantamento no multibanco.
E aqui entra num contra-senso inexplicável!
O que presidiu a criação da SIBS e a disseminação maciça de cartões de débito por todos os clientes, foi exactamente a diminuição de tráfego nos balcões. Assim poder-se-iam poupar recursos (leia-se colaboradores) que poderiam ser desviados para outras áreas do banco, ou mesmo reforçar uma estrutura comercial, tentando por esta forma, fortalecer a sua quota de mercado nos vários produtos e serviços oferecidos aos seus clientes.
Inicialmente gratuitos, depressa passaram a cobrar uma anuidade. Mas até aqui, penso que não vem nenhum mal ao mundo, existindo até muitos casos de isenção, por força da qualidade de cliente.
Com esta disseminação, os balcões passaram a ter menos colaboradores (menos custos), porque sendo estes movimentos todos de caixa, a tarefa administrativa de processamento dos cheques nos levantamentos, era substantiva.
Assistiu-se há alguns dias a uma “ofensiva” da banca e de forma concertada, em que todo o sector se preparava para taxar com comissões os levantamentos. No entanto, quer o Banco de Portugal quer o Governo, em boa hora vieram em uníssono dizer, que não iriam permitir mais um sufoco sobre os clientes.
Acaso a banca quer voltar atrás? Acredito que muitos clientes, passariam a fazer um os dois levantamentos por mês (um cheque custa em média 2 Euros) e com isto, a sobrecarregar os balcões, que teriam que incrementar os seus efectivos.
Não é este o caminho. E aquela outra ideia peregrina que se fez ouvir – “se é um serviço que o banco disponibiliza aos seus clientes, tem que ser pago”, francamente! Qualquer dia só o facto de pisarmos o interior de um balcão bancário e falarmos com um funcionário, seremos taxados ao minuto, tal como acontece com os advogados e os seus clientes.
Os gestores bancários não têm capacidade estratégica para pensar o negócio bancário, tal como ele agora se apresenta e retirar daí rentabilidade sem as comissões? E a desintermediação? Porque não inovam nesta área e aumentam os seus proveitos por esta via?
“Inventar “ comissões não custa. Outro sim, que não está ao alcance de todos e que é difícil, é saber gerir fazendo sempre mais com menos recursos.

Apostilla: A taxa de abstenção a rondar os 69% nas eleições europeias, não é só a demonstração do pouco interesse que os cidadãos têm nos temas europeus, mas é antes de mais e acima de tudo, uma atitude de censura á falta de qualidade dos políticos que temos. Os políticos não são propriamente exemplos de seguidismo. As atitudes que muitos têm tomado de nepotismo, de dolo (estão presos alguns), de falta de interesse na defesa dos interesses dos cidadãos, levou estes a voltarem costas e a dizerem que para esse peditório não irão dar mais. Serão os políticos capazes de se reciclarem? Eu não acredito!

sexta-feira, 10 de maio de 2019


A vergonha da Segurança Social

Há uma forma simples de resolver os atrasos nos pagamentos das pensões: colocar objectivos de resolução de processos, fortes mais atingíveis, e indexar a remuneração a uma coisa muito simples que se chama produtividade.

O que se passa com a atribuição das pensões e reformas da Segurança Social, ultrapassa os limites da adjectivação decorosa. Em nenhum país da OCDE se assiste à incompetência e falta de sentido social com a atribuição da primeira pensão ou reforma, como os portugueses sentem. Por mais justificações patéticas e despudoradas que o ministro da Segurança Social (SS) queira apresentar para justificar a falta de competência, nenhuma colhe. Como é possível haver cidadãos portugueses à espera da sua primeira pensão um ano e mais?! Não há justificação.
Apesar dos milhares de queixas que existem na própria SS e junto da Provedora de Justiça, o ministro nada diz. Foi a própria Provedora que, de forma pública, referenciou a total ausência de resposta por parte do ministro às suas interpelações.
Sei de um cidadão que está à espera da sua primeira pensão há dez meses (!), e que se deslocou recentemente a um centro da Segurança Social em Lisboa para solicitar informações sobre a sua situação. Além de não terem resposta para a delonga, nem saberem dizer para quando estaria previsto o primeiro pagamento, tão-pouco sabiam indicar a fórmula de cálculo da mesma pensão! Nem o enquadramento legal que podia ser consultado para o cidadão fazer os seus próprios cálculos. Pasme-se.
Outro caso é o de um cidadão que trabalhou nove anos na Suíça. Reformou-se lá e no mês seguinte tinha a pensão suíça paga em Portugal. A pensão portuguesa, correspondente aos anos que cá trabalhou, já vai num ano e meio (!) à espera da mesma.
A desculpa mais esfarrapada que o ministro parece ter encontrado é a de que a culpa não é dele (!) mas sim do governo anterior, que retirou uns milhares de pessoas dos quadros da SS. Francamente. Um chefe, um director, um administrador, um ministro, nunca se pode desculpar com quem o antecedeu no cargo. Se esse fez mal, está lá ele para fazer as coisas bem. Não é desculpa. Só demonstra incompetência exponencial e postura de sargento para lugar de oficial. O ministro acaso não sabe que a maior parte dos portugueses não têm pé-de-meia e se vêem obrigados a recorrer a familiares e amigos para sobreviver enquanto não chega a pensão? Não lhe pesa na consciência o sofrimento que está a causar a tantos portugueses?
Há uma forma simples de resolver este atraso: com os servidores do Estado afectos à Segurança Social, o ministro tem que fazer uma gestão como se faz nas empresas. Isto é, colocar objectivos de resolução de processos, fortes mais atingíveis, e indexar a remuneração destes trabalhadores a uma coisa muito simples que se chama produtividade. Estou certo que se o sector público administrativo fosse gerido numa óptica empresarial não haveria atrasos, porque se não cumprissem objectivos veriam parte do salário (a parte indexada ao cumprimento de objectivos) reduzida. E aí era ver as reformas serem pagas de um mês para o outro.
Exige-se mais respeito para com aqueles que trabalharam uma vida e que, no seu ocaso, são tratados de forma tão desprezível, exactamente quando não deveriam ter estas preocupações. É tempo deste ministro ir gozar a sua reforma, certamente dourada, quando comparada com os 600, 700 ou 800 euros que alguns pensionistas e reformados recebem. E já nem falo nas pensões mais baixas!
As eleições estão à porta, mas o PS faria um grande favor (caso venha a ganhar as eleições) se levasse para a reforma este e outros ministros que nada mais têm para dar ao país. Recordando Kennedy: “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas sim o que tu podes fazer por ele”.

sexta-feira, 29 de março de 2019

A minha "opinião" de hoje no JORNAL ECONÓMICO.



Incompreensível

No mundo da gestão não pode ser só o dinheiro a mover vontades. Pelo contrário, o dinheiro deverá ser a contrapartida de um desempenho de excelência.

Uma das principais matérias que se ensina a um aluno do 1º ano de qualquer licenciatura em Economia ou Gestão de Empresas, é que o objectivo máximo de qualquer empresa é o da criação de valor para clientes e accionistas, potenciando para estes últimos toda a sua atitude de gestão. Aprendem-se técnicas de gestão que se consubstancializam numa alavancagem de conhecimentos, por forma a que os gestores consigam atingir os seus objectivos.
É tão importante para o accionista a maximização do seu investimento que procura sempre os melhores e, além disso, institui prémios para o bom desempenho dos seus gestores.
Estes gestores, para que consigam melhorar as suas “performances” e serem apreciados pelo accionista e mercado em geral, frequentam cursos e pós-graduações várias, que lhe vão conferir novas competências ou aperfeiçoando aquelas que já possuem, dando-lhes novas ferramentas para serem sempre os melhores.
Procuram a dinâmica do empresário Schumpeteriano, estando numa atitude de permanente inovação, sempre um passo à frente dos seus concorrentes, sendo referência no mercado e apresentando novas soluções, novos produtos e novos serviços, por forma a manterem sempre a dianteira.
Além dos proveitos financeiros que retiram da excelência e do rigor do trabalho apresentado, capitalizam também respeito e admiração, não só pelos seus accionistas como também por aqueles que são os seus pares no mercado que diariamente disputam.
A apresentação de bons resultados é definitiva para se fazer o julgamento de qualquer gestor. Por vezes (muitas vezes) associa-se o sucesso de determinada empresa ao seu presidente, ao seu Director-Geral ou seja lá quem for a pessoa de máxima responsabilidade nessa organização.
Do meu ponto de vista, nenhum gestor deveria gostar de se ver associado a uma empresa que gere maus resultados. Tal situação compagina e configura um apontamento negativo no seu curriculum, a que todo o gestor quer escapar. Por tudo o que venho dizendo é que encontro bizarro e incompreensível como certos gestores se associam a projectos que, de antemão, já se sabem ser ruinosos e desprestigiantes. Tenho extrema dificuldade em entender essas escolhas.
No mundo da gestão não pode ser só o dinheiro a mover vontades. Pelo contrário, o dinheiro deverá ser a contrapartida de um desempenho de excelência. Faço um enorme esforço e só consigo compreender (muito vagamente) se o leitmotiv que move o gestor para um projecto falido for o seu elevado sentido de missão assente numa fé inabalável, qual anacoreta no seu retiro nos confins de um deserto. Mas sendo este o caso, não deveria receber qualquer retribuição, porque todos os desafios movidos pela fé não deveriam ser pagos. A fé não tem preço! É o acto de se acreditar ou não.

sexta-feira, 1 de março de 2019


Ruído

Uma posição de governador de qualquer banco central deve ser, por excelência, uma posição discreta. Exige uma postura inatacável por parte do titular do cargo. Mas o governador parece não entender esta realidade.

Existem cargos cuja responsabilidade, especificidade e visibilidade exigem discrição, desde logo àqueles que os ocupam, além de competência para um correcto exercício do seu magistério. Sejam eles nomeados ou escolhidos pelo governo, ou por concurso público, deverão sempre tudo fazer para evitar ruído e alarido, que em nada contribuem para um desempenho sem reticências e que, pelo contrário, acrescentam dúvidas e outras questiúnculas, a todos, particularmente aos que se não revêm em comportamentos censuráveis para o cargo.
Vem esta apreciação a propósito dos constantes movimentos de ruído, diria mais, de estridente ruído, que o actual governador do Banco de Portugal (BP), tem causado e arrastado consigo, ao longo do tempo que tem exercido o seu mandado. Sempre critiquei a sua escolha para o cargo. A governação Sócrates cometeu o primeiro erro ao nomeá-lo, e a governação Passos Coelho insistiu no mesmo erro, quando propôs a sua recondução por mais um mandato.
Nunca encontrei que este governador tivesse perfil para um cargo tão importante. Certamente, e em minha opinião, existiam outras pessoas com perfil mais ajustado às exigências que a função compagina, e que teriam certamente um desempenho positivamente bastante distinto. Não me refiro ao último “ruído” a propósito da Caixa Geral de Depósitos – este foi só mais um e a necessitar de explicação mais convincente.
Recordo todo aquele estridente ruído que andou à volta da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Espírito Santo (BES), de onde este governador saiu bastante maltratado. Recordo aqui uma passagem da conclusão dessa Comissão: “Não é a primeira vez que o BP falha na detecção, prevenção e resposta a problemas sérios na banca portuguesa, recordando os caso do BPN e do BPP. A eficácia das actividades de inspecção permanente do BP nos bancos carecem de uma reanálise quanto à sua eficácia, capacidade de identificação precoce de sinais de alarme ou de garantia da implementação de determinações do próprio BP”.
Para não falar da acta rasurada do Banco Central Europeu e apresentada pelo governador do Banco de Portugal à Comissão Parlamentar de Inquérito do BANIF – mais ruído. Ora, com tanto ruído, não entendo como é que o governador do BP encontra que tem condições para continuar na função!
Uma posição de governador de qualquer banco central deve ser, por excelência, uma posição discreta. Exige uma postura inatacável por parte do titular do cargo. E o que é que tem acontecido, pelo menos desde o BES? Um coro de protestos, não só no Parlamento mas na praça pública, na imprensa, nos fóruns próprios de debate, no sentido do governador sair pelo seu próprio pé. Será que não entende que está a mais (há muito tempo) na função?
Não sei se lhe assiste razão ou se, pelo contrário, deveria ser culpabilizado. Não me cabe a mim fazer esse juízo de valor. O que sei é que, com tanto ruído que impende sobre o governador, até para ressalva do seu bom nome, dignidade e honorabilidade, o caminho mais adequado que deveria ter seguido há muito, era o da saída pelo seu próprio pé. Porque com esta intransigência, é a própria instituição que acaba também por ser atingida. Mas o governador parece não entender esta realidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019


A falência das Nações Unidas

Sou o primeiro a lamentar a situação de bancarrota da ONU, mas não me parece que o secretário-geral tenha o “golpe de asa” que a organização necessita para inverter a situação.

A Organização das Nações Unidas (ONU) encontra-se numa encruzilhada financeira bastante difícil. O secretário-geral da organização já no ano passado se tinha manifestado muito preocupado com a situação de bancarrota em que a ONU se encontrava e que tinha a génese na falta de pagamento dos Estados-membros.
Como é sabido de todos, os EUA e Israel deixaram de pertencer à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação) no dia 1 de Janeiro do corrente ano. Sendo os EUA o principal financiador das Nações Unidas (22% do orçamento total), a sua saída representa um corte substantivo nas verbas recebidas pela organização na sua totalidade. Se a tudo isto juntarmos as afirmações da embaixadora americana Nikki Haley – A ineficiência e gastos extraordinários da ONU são bem conhecidos. Já não vamos permitir que a generosidade dos americanos seja aproveitada” – percebe-se bem, a forma como o principal financiador vê a inércia da organização.
Em vez de lamentar e mostrar a sua preocupação pelo estado das finanças das Nações Unidas, o seu secretário-geral tem de perceber o que leva a que os países não contribuam, ou mesmo que fujam da organização. Qualquer dador quer ver eficiência, eficácia e obra feita com as suas doações e parece ser exactamente aqui que está a génese de toda esta difícil situação.
Mais que a qualquer outro, cabe ao secretário-geral fazer uma reforma profunda na organização, que a torne mais eficaz, menos burocrata, mais eficiente e capaz de resistir a pressões vindas de onde vierem. Recordo que no início do seu mandato muito prometeu nesta matéria da reforma, mas passados que estão dois anos sobre a sua tomada de posse, está tudo quase na mesma.
A principal reforma da organização tem de ser ao nível de quem lá trabalha. É necessário cortar pela raiz privilégios; substituir acomodados por pessoas que estejam habituadas às grandes exigências e ao cumprimento de robustos objectivos na sua vida profissional; acabar de uma vez por todas com a ascensão de quem já está na organização (central e agências) e daqueles que frequentam os corredores do poder (ex: ministros, embaixadores e quejandos). Outrossim, dando oportunidade àqueles que, na sua vida profissional privada, demonstraram ser líderes na gestão de projectos muito importantes não só na dimensão mas também no alcance.
Sem esta importante reforma, onde os dadores consigam ver a boa aplicação das suas doações, as Nações Unidas irão afundar-se mais a cada dia que passa. E o secretário-geral, por sua vez, terá cada vez mais presente aquela noite de 16 de Dezembro de 2001, em que “reconheceu com inteira lucidez, se não se demitisse, o país cairia inevitavelmente num pântano político”.
Sou o primeiro a lamentar esta situação, mas não se me afigura que o secretário-geral tenha o “golpe de asa” que a organização necessita para que a situação possa ser invertida.

Nota: Está a ser cada vez mais patética a posição dos diversos sindicatos dos docentes portugueses, com a exigência da contagem do tempo integral de serviço. Na crise todos perdemos! Acaso estes senhores se recordam dos milhares de portugueses que perderam o seu emprego e que já não conseguiram voltar ao mercado de trabalho? Francamente…

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

 
 
 
 
 




VARIAÇÕES HOMÓLOGAS
 HOMOLOGOUS CHANGE
 
Empréstimos de Outras Instituições Financeiras Monetárias a Particulares  
Loans of Other Monetary Financial Institutions to Private Individuals  
          Milhões de Euros
    Millions of Euros
Crédito   Concedido            Cobrança Duvidosa
Banking Credit            Installment Credit          Uncertain Collection
Habitação NOV.17 93.222     2.046  
Mortgage NOV.18 93.537 0,34%   1.731 -15,40%
Consumo NOV.17 13.629     674  
Consumption NOV.18 15.226 11,72%   664 -1,48%
Outros Fins NOV.17 7.682     1.785  
Another Finality NOV.18 7.134 -7,13%   1.468 -17,76%
Total NOV.17 114.533     4.505  
Total NOV.18 115.897 1,19%   3.863 -14,25%
   
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal    
Source: Portugal Central Bank