sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019


A falência das Nações Unidas

Sou o primeiro a lamentar a situação de bancarrota da ONU, mas não me parece que o secretário-geral tenha o “golpe de asa” que a organização necessita para inverter a situação.

A Organização das Nações Unidas (ONU) encontra-se numa encruzilhada financeira bastante difícil. O secretário-geral da organização já no ano passado se tinha manifestado muito preocupado com a situação de bancarrota em que a ONU se encontrava e que tinha a génese na falta de pagamento dos Estados-membros.
Como é sabido de todos, os EUA e Israel deixaram de pertencer à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação) no dia 1 de Janeiro do corrente ano. Sendo os EUA o principal financiador das Nações Unidas (22% do orçamento total), a sua saída representa um corte substantivo nas verbas recebidas pela organização na sua totalidade. Se a tudo isto juntarmos as afirmações da embaixadora americana Nikki Haley – A ineficiência e gastos extraordinários da ONU são bem conhecidos. Já não vamos permitir que a generosidade dos americanos seja aproveitada” – percebe-se bem, a forma como o principal financiador vê a inércia da organização.
Em vez de lamentar e mostrar a sua preocupação pelo estado das finanças das Nações Unidas, o seu secretário-geral tem de perceber o que leva a que os países não contribuam, ou mesmo que fujam da organização. Qualquer dador quer ver eficiência, eficácia e obra feita com as suas doações e parece ser exactamente aqui que está a génese de toda esta difícil situação.
Mais que a qualquer outro, cabe ao secretário-geral fazer uma reforma profunda na organização, que a torne mais eficaz, menos burocrata, mais eficiente e capaz de resistir a pressões vindas de onde vierem. Recordo que no início do seu mandato muito prometeu nesta matéria da reforma, mas passados que estão dois anos sobre a sua tomada de posse, está tudo quase na mesma.
A principal reforma da organização tem de ser ao nível de quem lá trabalha. É necessário cortar pela raiz privilégios; substituir acomodados por pessoas que estejam habituadas às grandes exigências e ao cumprimento de robustos objectivos na sua vida profissional; acabar de uma vez por todas com a ascensão de quem já está na organização (central e agências) e daqueles que frequentam os corredores do poder (ex: ministros, embaixadores e quejandos). Outrossim, dando oportunidade àqueles que, na sua vida profissional privada, demonstraram ser líderes na gestão de projectos muito importantes não só na dimensão mas também no alcance.
Sem esta importante reforma, onde os dadores consigam ver a boa aplicação das suas doações, as Nações Unidas irão afundar-se mais a cada dia que passa. E o secretário-geral, por sua vez, terá cada vez mais presente aquela noite de 16 de Dezembro de 2001, em que “reconheceu com inteira lucidez, se não se demitisse, o país cairia inevitavelmente num pântano político”.
Sou o primeiro a lamentar esta situação, mas não se me afigura que o secretário-geral tenha o “golpe de asa” que a organização necessita para que a situação possa ser invertida.

Nota: Está a ser cada vez mais patética a posição dos diversos sindicatos dos docentes portugueses, com a exigência da contagem do tempo integral de serviço. Na crise todos perdemos! Acaso estes senhores se recordam dos milhares de portugueses que perderam o seu emprego e que já não conseguiram voltar ao mercado de trabalho? Francamente…

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

 
 
 
 
 




VARIAÇÕES HOMÓLOGAS
 HOMOLOGOUS CHANGE
 
Empréstimos de Outras Instituições Financeiras Monetárias a Particulares  
Loans of Other Monetary Financial Institutions to Private Individuals  
          Milhões de Euros
    Millions of Euros
Crédito   Concedido            Cobrança Duvidosa
Banking Credit            Installment Credit          Uncertain Collection
Habitação NOV.17 93.222     2.046  
Mortgage NOV.18 93.537 0,34%   1.731 -15,40%
Consumo NOV.17 13.629     674  
Consumption NOV.18 15.226 11,72%   664 -1,48%
Outros Fins NOV.17 7.682     1.785  
Another Finality NOV.18 7.134 -7,13%   1.468 -17,76%
Total NOV.17 114.533     4.505  
Total NOV.18 115.897 1,19%   3.863 -14,25%
   
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal    
Source: Portugal Central Bank
VARIAÇÕES HOMÓLOGAS
 HOMOLOGOUS CHANGE
Empréstimos de Outras Instituições Financeiras Monetárias a Empresas Não Financeiras
Loans of Other Monetary Financial Institutions to Non-Financial Corporations
          Milhões de Euros
    Millions of Euros
  Crédito Concedido     Cobrança Duvidosa
                              Installment Credit            Uncertain Collection
  NOV.17 74.278   9.914  
  NOV.18 70.846 -4,62%   7.130 -28,08%
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal
Source: Portugal Central Bank
Empréstimos de Outras Instituições Financeiras Monetárias a Particulares  
Loans of Other Monetary Financial Institutions to Private Individuals  
        Milhões de Euros  
  Millions of Euros
Crédito   Concedido              Cobrança Duvidosa
Banking Credit            Installment Credit          Uncertain Collection
Habitação OUT.18 93.621   1.783    
Mortgage NOV.18 93.537 -0,09% 1.781 -0,11%  
Consumo OUT.18 15.278   690    
Consumption NOV.18 15.226 -0,34% 664 -3,77%  
Outros Fins OUT.18 7.189   1.489  
Another Finality NOV.18 7.134 -0,77% 1.468 -1,41%  
Total OUT.18 116.087   3.962  
Total NOV.18 115.897 -0,16% 3.863 -2,50%  
 
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal  
Source: Portugal Central Bank
VARIAÇÕES MENSAIS
       MONTH CHANGE
Empréstimos de Outras Instituições Financeiras Monetárias a Empresas Não Financeiras
Loans of Other Monetary Financial Institutions to Non-Financial Corporations
  Milhões de Euros
Millions of Euros
EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS (Variação Mensal)      
  Crédito Concedido     Cobrança Duvidosa
  OUT.18 70.648   7.394  
  NOV.18 70.846 0,28%   7.130 -3,57%
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal
Source: Portugal Central Bank

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


‘Non Performing Loans’

Perante a relevância do sector na ajuda ao sector bancário, é completamente absurdo assobiar para o lado, tentando ignorá-lo nas suas múltiplas dimensões.

As dificuldades registadas na banca europeia nos últimos anos, derivam essencialmente de créditos vencidos (malparado) e de imparidades, podendo estas derivar do próprio crédito concedido face às garantias reais que o sustentam ou de outros activos financeiros detidos pela banca.
A banca em Portugal não foi excepção e registou os mesmos problemas. Quero ressalvar o problema do BES e do BPN, que sendo casos de polícia, correm o seu curso normal na justiça.
De acordo com uma calendarização imposta pelo regulador europeu (BCE) e pelo regulador nacional (BP), os créditos à medida que vão entrando em incumprimento e de acordo com cada tipo de crédito, obrigam a banca a um calendário de aprovisionamento, findo o qual, é utilizada a provisão passando esse crédito para write-offs. Juntando todo este tipo de créditos fora de balanço, e outro tipo de crédito (particularmente o hipotecário) que embora não estando todo aprovisionado, os bancos querem vender, estamos pois perante os Non Performing Loans (NPL).
É sabido que a Comissão Europeia mas mais particularmente o BCE, têm vindo a insistir no fortalecimento da banca portuguesa (rácio de solvabilidade – ponderação dos capitais próprios pelos activos de risco), aconselhando uma maior atenção no crédito concedido e, com maior veemência, um conselho para a limpeza de balanços, que é como quem diz, uma purga de todos aqueles créditos problemáticos e tóxicos.
Ora para que tal aconteça e para que as percas da banca não sejam tão elevadas, a banca vende esses portfólios – NPL – a empresas que depois irão tentar recuperar (no todo ou em parte), os valores que tinham ficado em dívida para com a entidade financeira que concedeu o financiamento.
Estas empresas são duma importância e relevância enormes, porque são elas que vão ajudar a banca num problema que não consegue resolver. Também, as empresas que fazem a recuperação extrajudicial e amigável de crédito, têm um papel importantíssimo ao longo de toda esta dinâmica. Não querer perceber esta realidade, é sinónimo de incompetência ou de falta de vontade política.
Há muito que este sector deveria ter um enquadramento legal adequado à sua actividade. O Projecto de Lei Nº 720/XIII, levado a plenário da AR em Janeiro de 2018, parece que mais não foi que um nado-morto.
Perante a relevância deste sector na ajuda ao sector bancário, é completamente absurdo assobiar para o lado, tentando ignorá-lo nas suas múltiplas dimensões – os biliões de euros que movimenta, os milhões que paga em impostos e segurança social, os milhares que aplica nos seus múltiplos consumos e fornecimento de terceiros e os milhares de postos de trabalho que cria. O reconhecimento deste sector far-se-á um dia. O “lag” até essa altura a ninguém irá aproveitar.